A Sala Verde Serrana dos Quilombos exibiu nos últimos dias 1, 2 e 3 de julho os filmes que compuseram a 1ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental intitulada "Circuito Tela Verde". O projeto trata-se de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Cultura e instituições educadoras, tais como as Salas Verdes, que se dispuseram a participar da Mostra exibindo os filmes em questão.
Sala Verde e juventude de mãos dadas pelo meio ambiente: reflexões de um estagiário*
Participei hoje da Conferência Regional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente de União dos Palmares/AL, não na condição de delegado, nem muito menos na de suplente, mas sim na de estagiário da Sala Verde Serrana dos Quilombos, uma das instituições envolvidas com a conferência.
Antes de qualquer coisa, quero situar de onde escrevo e por que escrevo. Sou estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Alagoas e nesse segundo semestre de 2008 tive uma disciplina muito especial para a minha formação profissional chamada de Estágio Supervisionado 1 (serão ao todo quatro). Muito bem, como local de estágio privilegiado pela disciplina tínhamos que escolher uma ação educativa que estivesse ocorrendo para além dos muros das escolas. Foi aí que escolhi o projeto Sala Verde de minha cidade, União dos Palmares, pois sabia que ele trabalhava com Educação Ambiental (dimensão educativa que abraço de corpo e alma). Mas você sabe o que é uma Sala Verde?
De maneira simples podemos dizer que Salas Verdes são centros de referência em Educação Ambiental promovidos pelo Ministério do Meio Ambiente com o objetivo de democratizar o acesso a materiais educativos de caráter ambiental (DEA/MMA). O legal da Sala Verde na qual estagiei é que ela tem um diferencial para lá de importante. Já no nome lemos a diferença. Afinal, a Sala Verde Serrana dos Quilombos recebeu esta denominação porque atende à região do Estado de Alagoas na qual negros escravizados se proclamaram livres sob a liderança de Zumbi.
Pois então, como disse, a Sala Verde esteve, está e estará envolvida com a CNIJMA aqui no Estado de Alagoas, especialmente na região da Zona da Mata. Foi por conta disso, que ao iniciar o meu estágio lá fui convidado a colaborar com a realização da Conferência Regional de União dos Palmares. Para tanto, participei de reuniões pedagógicas e de planejamento do evento. Hoje, dia 9 de dezembro de 2008, vivenciei a parte mais importante da minha intervenção educativa, a própria conferência.
Foi um dia cheio. A princípio começamos com um bom atraso de duas horas devido a contratempos vários que não irei citar aqui. O que quero escrever aqui é sobre a cara desta juventude que se diz, e é, ambientalista, e que anda se comprometendo, dia após dia, mais e mais com as causas ambientalistas. Uma juventude que se envolve nas discussões de forma interessada e respeitosa e surpreendente, debatendo, propondo, assumindo responsabilidades para com o planeta.
Dentre as várias questões que eu me fazia sobre como seria este momento, quero destacar uma que foi prontamente respondida: A juventude, afinal de contas, tem um discurso novo sobre a Educação Ambiental? O dia de hoje me ajudou a responder que sim, pois vi como crianças feito Danilo, um dos suplentes eleitos na conferência, são capazes de pintar novos olhares sobre velhas práticas. O caso de Danilo é especial e merece um parágrafo aparte.
Primeiro quem começou a defender o cartaz foi a delegada, mas ela ficou nervosa (como muitos outros) e deu uma pausa longa. Foi a oportunidade que Danilo aproveitou para nos encantar com a sabedoria inesperada que só as crianças alcançam. Ele veio falando de mansinho, com um jeito que cativou cada uma das pessoas presentes. Até que ele arremeteu o seguinte: "As pessoas hoje desmatam as florestas [...] Causam incêndios [...] Queimam aqui [...] Queimam ali [...] E de repente é uma queimadura". É não isso mesmo Danilo que acontece! Pena é que muitos ainda ignoram o quanto arde essa queimadura que certos comportamentos, certas atitudes, causam na pele deste planeta tão frágil.
Por fim, quero parabenizar e agradecer a todas essas crianças lindas pelo dia que construíram e que me ensinou tanto. Deixo com vocês as impressões de Danilo sobre o dia:
"Oi, hoje foi um grande dia porque eu apresentei o meu trabalho com minha amiga Ana Paula. Nós apresentamos uma conferência. Hoje foi um dia muito especial porque eu pude me expressar para o público, [expressar] o que eu sei" (Danilo Victor Bispo de Oliveira, Escola Estadual Manoel de Matos).
A III Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente vem sendo vivenciada pelas Escolas Municipais de União dos Palmares e também pelas Escolas Estaduais da 7ª CE. A conferência é um momento de engajamento na causa ambientalista e tem como público-alvo as crianças e adolescentes de escolas de todo o Brasil. Até o dia 15 de novembro as escolas poderão realizar suas conferências. No último dia 14 de outubro foi a fez da Escola Estadual Manoel de Matos, em Santana do Mundaú, realizar o seu momento de discussão e comprometimento com a causa do meio ambiente.
O Instituto Lagoa Viva – Programa de Educação Ambiental Lagoa Viva, em parceria com a secretaria de Estado da Educação e do Esporte de Alagoas e as secretarias Municipais de Educação - SEMEDs , promoveram o VII Congresso Estadual de Educação Ambiental de Alagoas, tendo como tema: “Os educadores ambientais tecendo a sustentabilidade”, que se realizou no período de 31 de outubro a 02 de novembro de 2008, no Centro de Convenções de Maceió – Al. A 7ª CE participou com uma representação de professores das escolas estaduais Dr. Carlos Gomes de Barros, Jorge de Lima, Mons. Clóvis Duarte de Barros, Dr. Paulo Sarmento e Dr. Rocha Cavalcante, de União dos Palmares; Manoel de Matos, de Santana do Mundaú; Artur Lopes e Professor Loureiro, de Murici; Juvenal Lopes, de Branquinha; Cônego Teófanes de Barros e Carlos Lira, de São José da Laje; Mons. Luís Barbosa, de Ibategurara. Participaram também as escolas municipais e outras entidades da municipalidade da região. Foi feita a apresentação do trabalho do Núcleo de Educação Ambiental de União dos Palmares, pela professora Maria Betânia Almeida e dos municípios, com peças teatrais. Foram expostos banners dos projetos escolares desenvolvidos por alunos e comunidade escolar das redes estadual e municipal, caracterizando uma efetiva participação de todos. Tivemos uma representação do artesanato de cerâmica do povoado Muquém, do Município de União dos Palmares, com as senhoras Marinalva e Irinéia, dignas representantes da cultura popular de União dos Palmares. A senhora Irinéia, que é reconhecida como patrimônio vivo da humanidade, tendo recebido o Título de Comentadora pela UNESCO. O Encontro serviu para fortalecer experiências, conhecimentos, traçando caminhos para o desenvolvimento sustentável.
Maria Betânia da Silva Almeida Elo de Educação Ambiental da 7ª Coordenadoria de Ensino
O Núcleo de Educação Ambiental/Sala Verde/ SEMED/7ª CE de União dos Palmares, na pessoa de Maria Betânia, participou da reunião de organização do VII Congresso Estadual de Educação Ambiental de Alagoas, que ocorreu no dia 17 de outubro de 2008, na sede do Instituto Lagoa Viva, na cidade de Maceió.
A Prefeitura Municipal de União dos Palmares, através do Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Educação, realizou no dia 2 de setembro de 2008 uma Reunião com membros do Fórum Alagoano de Economia Solidária. A renião contou com a presença de representantes de cooperativas locais, bem como membros da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Alagoas – SRTE e da Universidade Federal de Alagoas. O encontro objetivou estruturar o Fórum Estadual de Economia Solidária.
O Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Educação (NEA/SEMED) realizou nos últimos meses, abril/maio/junho, o Projeto Selo Unicef a partir do desenvolvimento do eixo de Participação Social, que ficou sob a responsabilidade do NEA/SEMED. Foram realizadas reuniões pedagógicas com as escolas para elaboração dos projetos de intervenção nas comunidades escolares. Dentre os resultados, destacamos inicialmente os seguintes trabalhos:
Crianças e adolescentes do Sítio Pindoba pesquisam sobre a água da localidade
As escolas municipais do sítio Pindoba desenvolveram o projeto de Educação para Convivência com a Zona da Mata a partir do tema gerador “Água”.
Como cuidar da água? Como se faz o tratamento da água?
Foram perguntas que os alunos do Ensino Fundamental das escolas envolvidas tentaram responder. Todos demonstraram ter em mente a estreita relação entre a água e a vida, e por isso, convidaram as comunidades da localidade para pensarem sobre os vários aspectos relacionados a esse tema, inclusive sobre as doenças de veiculação hídrica –principalmente verminoses. Leia mais...
Questões de saúde pública no projeto da Escola Municipal Papa Paulo VI
A Escola Municipal Papa Paulo VI, localizada na comunidade de Rocha Cavalcanti, desenvolveu o projeto Educação para Convivência com a Zona da Mata a partir de temas relacionados à saúde, pois interessou a esta comunidade saber como as crianças estão sendo acolhidas e como estão crescendo em nossa região.
Nesse sentido, os alunos do Ensino Fundamental pesquisaram sua comunidade e levantaram dados sobre essa questão central, tais conhecimentos produzidos no âmbito do projeto foram socializados com a comunidade escolar e com a comunidade em geral no dia 28 de maio de 2008, quando ocorreu a culminância do projeto. Leia mais...
A terra e as plantas de Rocha Cavalcanti
A alegria que tomou conta da Escola Municipal Antônio Gomes ontem, dia 27, na culminância do Selo Unicef da escola, evidenciava o envolvimento de toda a comunidade escolar com a realização do projeto sobre a biodiversidade da comunidade de Rocha Cavalcanti, onde a escola está localizada.
O projeto desenvolvido pela escola buscou conhecer o solo, as frutas e a vegetação da Zona Mata. Em seu percurso, alunos e alunas aprenderam, bem como ensinaram a conviver com o seu lugar. Foram utilizados recursos comunicativos como peças teatrais e cartazes. Leia mais...
Na última sexta-feira, 09/05/2008, como tínhamos divulgado, houve uma reunião na 7ª CE com o apoio da Sala Verde Serrana dos Quilombos que objetivou rearticular o Coletivo Jovem de Meio Ambiente de União dos Palmares/AL. Inicialmente, a reunião seria aqui mesmo na Sala Verde, contudo, devido ao fato de terem participado quase 30 pessoas não foi possível acolher esses jovens em nossas dependências. A reunião foi muito produtiva por conseguir (re)fundar, por assim dizer, o Coletivo.
Participaram, desse momento, jovens que se propuseram em encaminhar os trabalhos do grupo. Ficando desde então, divididos os trabalhos do Coletivo da seguinte forma:
Núcleo
Responsáveis
SECRETARIA
Luana e Carlos
EVENTOS
Douglas, Samara e Fernanda
FORMAÇÃO
Rogério e Carlos
PROJETOS
Carla e Thamires
COMUNICAÇÃO
João Carlos e Charles
ARTICULAÇÃO
Jhonatan, Camila, Flávio, Fernanda, Alessandra, Emanuelle, José, Tiago e Fernando
MOBILIZAÇÃO
Luana e Alessandra
DIVULGAÇÃO
Thamires
O próximo encontro dessa galera é dia 18/05/2008, sintam-se convidados. Dessa vez, sim, nos veremos por aqui na Sala Verde Serrana dos Quilombos, a partir das 14 horas!
Em seu primeiro Boletim Informativo, a Sala Verde Serrana dos Quilombos socializa os trabalhos desenvolvidos em dois meses de atuação. Nesse período, a Sala Verde participou da organização do I Encontro Palmarino de Educação Ambiental - EPEA, realizado nos dias 17 e 18 de março deste ano, em União dos Palmares- AL. Bem como, deu início ao monitoramento dos projetos pedagógicos das escolas municipais que tratam da convivência com a Zona da Mata e que foram implantados no âmbito da conquista do Selo Unicef – Município Aprovado. De mãos dadas com estas iniciativas, foram realizadas, em parceria com o Coletivo Jovem de Meio Ambiente da cidade, várias reuniões com escolas estaduais da microrregião Serrana dos Quilombos do Estado de Alagoas; desejando-se dar início aos processos de constituição de Com-Vidas nas escolas. Nesta edição de estréia, o boletim conta ainda com duas entrevistas. Uma com Areski Freitas, ex-Secretário Municipal de Educação de União dos Palmares - AL, que faz um balanço da Educação Ambiental ao longo de sua gestão na SEMED. A outra é com a educadora ambiental Michèle Sato, da UFMT e da UFSCar, que nos fala sobre racismo e justiça ambientais, além de esclarecer como vem sendo a atuação do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental - GPEA na comunidade quilombola Mata Cavalo - MT. O boletim pode ser lido clicando aqui.
Passado o mês de abril, torna-se possível traçarmos um roteiro do que foi realizado nesses últimos dias. Foram várias reuniões com escolas da rede estadual da 7ª CE, dando prosseguimento aos compromissos assumidos junto aos gestores escolares desta coordenadoria. Estivemos nas Escolas Estaduais Monsenhor Luiz Carlos (Ibategura), Carlos Lyra (São José da Laje), Manoel de Matos (Murici), Paulo Sarmento (União dos Palmares) e Professor Loureiro (Murici), onde nos encontramos com jovens e professores que compartilham conosco o ideal ambientalista de um mundo melhor para todos.
Estes atores acreditam que podem ajudar na melhoria da qualidade de vida de suas escolas e comunidades e, por isso, receberam muito bem a idéia de se organizarem sob a forma de uma comissão deveras especial: a COM-VIDA. Das escolas visitadas, o Professor Loureiro está com o processo de implantação de Com-Vidas bem encaminhado, sendo que os alunos da escolas já irão juntar forças conosco para que no próximo dia 30 de maio consigamos dar início às discussões sobre Com-Vida na Escola Estadual Artur Lopes, também em Murici.
Segue um registro da manhã agradável que tivemos junto com os jovens ambientalistas da Escola Estadual Professor Loureiro:
A Sala Verde Serrana dos Quilombos é um espaço jovem, de corpo e alma!
Foi com a poética de Cecília Meireles que resgatamos junto ao Gestores Escolares da 7ª Coordenadoria de Ensino a percepção da beleza estética do meio ambiente que nos cerca e que, por muitas vezes, não é notada. Na tentativa de aguçarmos a compreensão da diversidade e riqueza encontrada nas mais variadas formas de vida, utilizamos este poema como dinâmica inicial do encontro formativo que pretendeu, ainda, iniciar o processo de formação de Com-Vidas nas escolas estaduais daquela coordenadoria.
Tivemos a importante colaboração da moçada do Coletivo Jovem de Meio Ambiente de União dos Palmares/AL, especialmente das jovens Alessandra, Camila e Emanuele, que nos proporcionaram momentos de reflexão sobre a participação da juventude na tomada de decisões frente aos embates ecológicos. Elas nos confidenciaram, ainda, o que esperam das Com-Vidas em suas escolas, além de nos contar como pretendem atuar nesses espaços. A idéia da Equipe Coordenadora era proporcionar aos Gestores Escolares, ali presentes, a oportunidade de ouvir diretamente desses atores a crescente demanda dos jovens por espaços participativos nas escolas que tratem das questões ambientais em nível local com um enfoque totalizante.
Como resultado do encontro podemos mencionar o compromisso assumido por todas as quinze escolas presentes em consolidar as Com-Vidas como uma ferramenta inovadora da Educação Ambiental na Escola. Nós que fazemos a Sala Verde Serrana dos Quilombos também assumimos o compromisso de estar junto com essas escolas, apoiando-as na construção desse processo encantador que idealiza melhorar a qualidade de vida na escola e no ambiente como um todo. Estamos todos escrevendo as nossas Agendas 21.
O I Encontro Palmarino de Educação Ambiental – I EPEA acontecerá nos dias 17 e 18 de março de 2008. O evento tem como propositor e organizador o Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de União dos Palmares. O Encontro reúne também esforços da 7ª Coordenadoria de Ensino, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, do Conselho Municipal de Meio Ambiente e dos professores do Programa de Educação Ambiental Lagoa Viva em União dos Palmares/AL.
Nesta primeira edição, o evento terá como tema “Os Horizontes da Educação Ambiental”, observando-se a necessidade de espaços de discussão (in)formativa na área de Educação Ambiental entre os educadores palmarinos, especialmente no que se refere à realidade socioambiental da Região da Zona da Mata.
O I Encontro Palmarino de Educação Ambiental objetiva:
Reunir os educadores palmarinos e da região da Zona da Mata sensibilizados com a questão ambiental; Difundir as raízes históricas e os fundamentos teórico-metodológicos da Educação Ambiental entre tais educadores; Promover a divulgação de experiências em Educação Ambiental desenvolvidas por escolas, ONGs, pesquisadores, coletivos educadores, entre outros. Estimular a implantação de projetos de Educação Ambiental nas escolas municipais de União dos Palmares e nas escolas estaduais da 7ª Coordenadoria de Ensino.
Ao ser perguntado por um jovem universitário americano sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, Cristovam Buarque (PDT) apresentou sua visão humanista sobre o assunto, já que o jovem disse que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro:
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo e risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado
Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriam pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."
(*) Cristóvam Buarque foi governador do Distrito Federal (PT) e reitor da Universidade de Brasília (UnB), nos anos 90. É senador, palestrante e humanista respeitado mundialmente.